O preço do ouro encerra a semana em leve estabilidade nesta sexta-feira, mas acumula uma perda semanal de quase 1,9%, pressionado por um cenário geopolítico momentaneamente mais estável e um Federal Reserve dividido sobre o rumo da política monetária.
O metal precioso, tradicionalmente procurado como ativo de proteção, foi impactado pela decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de adiar uma ação militar direta contra o Irã, optando por explorar alternativas diplomáticas diante da escalada no Oriente Médio.
Embora as tensões entre Israel e Irã continuem, com trocas de ataques e novas rodadas de retórica, a sinalização de que Washington pretende buscar uma solução negociada reduziu, ao menos temporariamente, a percepção de risco imediato.
No campo diplomático, o Irã indicou disposição para discutir limites no enriquecimento de urânio, mas descartou qualquer possibilidade de reduzir o nível a zero, sobretudo enquanto os ataques israelenses prosseguem.
No ambiente doméstico americano, o Federal Reserve adicionou um fator adicional de incerteza para o comportamento dos ativos de proteção. Embora o banco central tenha mantido os juros estáveis na última decisão, o debate interno ganhou novos contornos.
O governador Christopher Waller sugeriu que, diante da inflação mais comportada, um corte já na reunião de julho pode ser apropriado. Em contrapartida, o presidente do Fed de Richmond, Thomas Barkin, adotou tom mais cauteloso, afirmando não haver urgência para iniciar um ciclo de flexibilização enquanto incertezas geopolíticas e efeitos de tarifas ainda não se dissipam totalmente.
Dados econômicos recentes também trouxeram sinais mistos para o mercado. O índice de manufatura do Fed da Filadélfia permaneceu negativo em -4,0 pontos em junho, sugerindo fraqueza contínua na atividade industrial regional, enquanto o subíndice de emprego recuou para o menor nível desde 2020.
Apesar desses sinais de moderação na atividade, a resiliência do mercado de trabalho e a inflação ainda elevada continuam a limitar o espaço imediato para cortes mais agressivos de juros.
Mesmo com o recuo desta semana, o ouro segue sustentado por um contexto de volatilidade estrutural: a combinação de tensões geopolíticas persistentes, política monetária incerta e riscos tarifários globais segue oferecendo suporte à demanda defensiva.
Para a próxima semana, os mercados acompanharão de perto novos discursos do Fed, os PMIs industriais e dados de inflação, além da prévia do Produto Interno Bruto dos EUA, que poderão redefinir as apostas para a trajetória de juros e o comportamento dos ativos de refúgio.
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