O presidente Donald Trump desafia as regras do comércio global com tarifas "recíprocas", prometendo caos nos negócios internacionais e atritos com aliados e adversários dos EUA.
Desde os anos 1960, tarifas de importação são definidas por acordos entre países, mas Trump quer mudar isso. “Isso destrói o modelo tradicional de comércio”, alerta um especialista em comércio internacional.
Trump justifica sua política pelos déficits comerciais massivos dos EUA, que importam mais do que exportam desde 1975. Segundo ele, outros países aplicam tarifas mais altas sobre produtos americanos, e sua solução é igualar essas taxas.
Defensor ferrenho das tarifas, Trump impôs 10% sobre produtos chineses e aumentou impostos sobre aço e alumínio estrangeiros. Ele também ameaçou uma tarifa de 25% sobre produtos do Canadá e do México, mas adiou a medida. Economistas alertam que tarifas são impostos repassados aos consumidores, embora alguns analistas apontem que a pressão de Trump já levou países a reduzir tarifas e ampliar importações dos EUA.
A proposta de tarifas recíprocas parece simples: os EUA cobrariam as mesmas taxas aplicadas a seus produtos no exterior. Porém, a viabilidade dessa medida ainda é incerta, já que cada país tem milhares de itens tarifados de forma diferente. O governo dos EUA encomendou um relatório para esclarecer os detalhes até 1º de abril.
Historicamente, os EUA promoveram o livre comércio com tarifas mais baixas para impulsionar o crescimento econômico. Trump rompe com essa abordagem, argumentando que a concorrência desleal enfraqueceu a indústria americana e fechou fábricas. Seu governo cita exemplos como países que taxam motocicletas estrangeiras em 100%, enquanto os EUA cobram apenas 2,4%.
No entanto, as tarifas que Trump critica foram negociadas pelos próprios EUA, dentro de tratados comerciais globais. Além das tarifas, ele quer combater barreiras comerciais indiretas, como subsídios, regulações excessivas e roubo de propriedade intelectual.
Se implementadas, as tarifas recíprocas podem elevar os impostos sobre importação para até 20%, bem acima dos 10% inicialmente propostos. Mesmo assim, especialistas explicam que o déficit comercial dos EUA é estrutural, resultado do alto consumo e baixo nível de poupança. Em 2023, o déficit atingiu US$ 918 bilhões, o segundo maior da história.
O déficit comercial não se resolve apenas com tarifas. Sem mudanças no consumo e na poupança, ele continuará existindo, segundo especialistas.
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