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Mercado aguarda Jackson Hole: sinais de juros pesam sobre ações

Dados mistos e menores chances de corte em setembro mantêm S&P, Dow e Nasdaq sem força, com foco total no discurso de Powell

19/08/2025 15h52 Atualizada há 6 meses
Por: Redação
Mercado aguarda Jackson Hole: sinais de juros pesam sobre ações

A semana marcada pelo simpósio de Jackson Hole desperta historicamente otimismo nos mercados, sinais sobre a trajetória da política monetária, a leitura do Fed sobre a economia e possíveis ajustes na tomada de decisões que afetam os juros de longo prazo costumam impulsionar as bolsas.

Neste ano, porém, a recuperação não veio. Dados econômicos mistos criam incertezas e impedem os índices de ganharem tração. É comum que as ações se valorizem durante esse período: em 2024, o S&P 500 passou de 5.608 para 5.616 na semana do evento; em 2023, subiu de 4.399 para 4.433.

Mas, nesta edição, o S&P 500 mal oscilou (-0,01 %), o Dow Jones recuou ligeiro 0,08 %, e o Nasdaq avançou apenas 0,03 %. Na Europa, o FTSE de Londres abriu com +0,2 %, o DAX subiu 0,16 % e o CAC 40, 0,54 %. Na Ásia, o Nikkei caiu 0,38 %, o Hang Seng recuou 0,2 % e o Nifty 50 da Índia registrou alta de 0,3 %.

Apesar do apoio político a Zelensky em Washington, o foco segue nas expectativas em torno da política monetária, que deve ganhar clareza no fim da semana. O Bank of America ressaltou que a reação ao simpósio deverá ser mais comedida do que na reunião de julho, considerando dados de emprego que sinalizam riscos de aumento no desemprego.

A probabilidade de um corte na taxa de juros em setembro caiu para cerca de 83–85 %, segundo o CME FedWatch Tool. O Índice de Preços ao Produtor veio mais alto do que o esperado, sugerindo que os custos gerados por tarifas já influenciam o setor produtivo, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor ficou abaixo das previsões, embora a inflação subjacente permaneça acima de 3 %.

No mercado de trabalho, foram criados apenas 73 mil empregos no último mês, muito abaixo das 100 mil esperadas. As revisões anteriores nos dados de maio e junho reduziram o total de vagas criadas em 258 mil, com a média de ganhos nos últimos três meses em torno de apenas 35 mil.

Ainda que alguns membros do FOMC defendam cortes mais imediatos, a cautela prevalece. O professor da Wharton, Jeremy Siegel, lembra que, apesar de alguns sinais inflacionários, as pressões mais relevantes ainda não se aceleraram de maneira sustentável. Para ele, o Fed deverá olhar além dos efeitos temporários causados por tarifas. Um reconhecimento do arrefecimento do emprego e da estabilidade do núcleo do PCE, segundo Siegel, abriria caminho para um corte de 25 pontos-base. Caso Powell opte por destacar a necessidade de aguardar mais dados, o mercado pode reagir negativamente.

O discurso de Powell em Jackson Hole deve definir o tom da política monetária nas próximas semanas, antes dos próximos dados de emprego e inflação e da reunião do Fed em 16–17 de setembro.

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