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Crise da dívida nos EUA pode explodir em até três anos, alerta Ray Dalio

Bilionário aponta que políticas da nova gestão Trump aceleram risco de “infarto econômico” provocado pelo endividamento crescente

03/09/2025 08h42 Atualizada há 6 meses
Por: Cláudia Lívia
Autor: Patrick T. Fallon | Crédito: Bloomberg
Autor: Patrick T. Fallon | Crédito: Bloomberg

A dívida dos Estados Unidos já ultrapassa os US$ 37 trilhões, e seu custo anual de manutenção passou da marca de US$ 1 trilhão. Diante desse cenário, o investidor bilionário Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, lançou um alerta direto: o país está a caminho de um colapso econômico causado por seu próprio endividamento, que pode ocorrer em até três anos.

“Os grandes excessos agora projetados como resultado do novo orçamento provavelmente causarão um ataque cardíaco induzido pela dívida num futuro relativamente próximo”, disse Dalio em entrevista ao Financial Times. “Eu diria três anos, mais ou menos um ou dois anos.”

Segundo o investidor, parte do agravamento desse risco vem das medidas fiscais propostas na segunda administração de Donald Trump. Embora a atual gestão promova discursos sobre eficiência e cortes de custos, a chamada One Big Beautiful Bill (OBBBA), vendida como o maior alívio tributário da história para a classe média – representa uma redução significativa na arrecadação.

O Escritório de Orçamento do Congresso estima que a OBBBA ampliará a dívida pública em US$ 3,4 trilhões. Apesar das promessas de que tarifas comerciais compensariam o impacto, os dados mostram que a arrecadação mensal com tarifas (cerca de US$ 30 bilhões) cobre apenas uma fração do custo mensal com juros. Em julho, por exemplo, os gastos com juros atingiram US$ 60,95 bilhões, considerando diferentes tipos de títulos públicos.

Dalio reconhece que o problema é sistêmico e não se resume a um governo ou partido, mas critica a falta de disposição da liderança atual em enfrentar interesses estabelecidos. “Eu acho que o que está acontecendo agora politicamente e socialmente é análogo ao que aconteceu ao redor do mundo no período de 1930 a 1940”, afirmou, referindo-se a intervenções estatais como a compra de participação na Intel. “Durante esses tempos, a maioria das pessoas fica em silêncio porque têm medo de retaliação se criticarem.”

O investidor comparou a economia americana a um sistema cardiovascular prestes a colapsar devido ao acúmulo de “placas”, onde os encargos da dívida comprimem outros gastos essenciais. E fez um alerta: quando os compradores de títulos começarem a duvidar da sustentabilidade fiscal dos EUA, o país pode enfrentar um choque abrupto no mercado.

“A demanda por dívida provavelmente não acompanhará o fornecimento”, disse Dalio, prevendo um momento em que investidores vão exigir taxas maiores para continuarem financiando o governo, um risco semelhante ao episódio do Reino Unido em 2022, quando o plano fiscal de Liz Truss derrubou a libra e provocou pânico nos mercados.

Esse cenário de ruptura no mercado é considerado viável por analistas caso a credibilidade internacional da dívida americana entre em declínio. Se os investidores, que historicamente aceitaram financiar grandes economias, começarem a questionar a solidez desse modelo e exigirem retornos maiores para compensar o risco, o país pode enfrentar um choque abrupto, com impactos significativos nos juros, na moeda e na estabilidade econômica.

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