O dólar norte-americano segue no centro do sistema financeiro global. Atualmente, 58% das reservas internacionais estão denominadas em dólar, 80% do comércio mundial é financiado na moeda e mais de US$ 13 trilhões em dívidas estão indexados ao “greenback”. Além disso, mais de US$ 90 trilhões em derivativos cambiais dependem da liquidez do dólar.
Esse peso estrutural explica por que o destino do dólar continua sendo decisivo para economias, empresas e investidores em todo o mundo.
Analistas como Brent Johnson e Henrik Zeberg defendem a tese de um último rali do dólar. A visão parte do pressuposto de que crises de liquidez globais aumentam a demanda pela moeda, especialmente diante da dependência de dívidas e derivativos em dólar fora dos Estados Unidos.
O precedente mais citado é a crise de 2008, quando o índice DXY subiu cerca de 20% em meio ao colapso financeiro global.
Outros analistas apontam que o ambiente atual é diferente. Desde 2022, cresce o movimento de desdolarização, com países do BRICS+ ampliando o uso de moedas locais em transações bilaterais e usando o ouro como ativo de liquidação.
O metal também ganhou status de ativo de reserva Tier-1 pelo BIS e viu suas compras por bancos centrais triplicarem nos últimos anos. Essa mudança estrutural reforça a tese de que, em uma próxima crise, o ouro não necessariamente repetirá a correção observada em 2008.
Embora não exista substituto imediato para o dólar, nem o euro, nem o yuan, nem o iene aspiram à condição de moeda de reserva global, o poder de compra da moeda americana segue em declínio secular. Desde 1971, o dólar perdeu mais de 99% de valor frente ao ouro.
Para financiar déficits e administrar sua dívida, os Estados Unidos têm incentivos a manter uma moeda relativamente mais fraca. Isso reduz a probabilidade de permitir um DXY persistentemente acima de 130, que traria riscos severos para o comércio e o sistema de crédito global.
O debate sobre a trajetória do dólar deve permanecer aberto. No curto prazo, choques de liquidez podem sustentar movimentos pontuais de valorização. No longo prazo, a tendência estrutural é de perda gradual de hegemonia, com o ouro consolidando-se como o principal beneficiário desse processo.
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