A economia chinesa enfrenta um novo teste de resistência após dados fracos de julho revelarem perda de fôlego no setor manufatureiro e nos investimentos. A produção industrial cresceu 6,2% no mês, desacelerando frente aos 7,4% de junho, segundo o Bureau Nacional de Estatísticas. O órgão atribuiu o resultado às restrições de capacidade causadas por temperaturas recordes e chuvas intensas em diversas regiões.
Apesar do cenário adverso, 35 das 41 principais indústrias ainda registraram crescimento, com destaque para o setor automotivo (+8,5%) e o segmento de computadores e comunicações (+10,2%).
O investimento em ativos fixos avançou apenas 1,6% nos primeiros sete meses do ano, abaixo da expectativa de 2,7%. Ao mesmo tempo, o índice de preços ao produtor (PPI) recuou 3,6% em julho, sinalizando deflação na porta de fábrica e reforçando preocupações sobre a demanda.
Especialistas destacam que o enfraquecimento do setor industrial e a desaceleração dos investimentos refletem desafios mais amplos da segunda maior economia do mundo — desde problemas no mercado imobiliário até o impacto das incertezas globais.
Em reação, o Ministério das Finanças anunciou o primeiro programa de subsídio de juros para empréstimos ao consumidor da China, oferecendo descontos de até 3.000 yuan por pessoa em financiamentos voltados ao consumo. A medida entra em vigor em setembro de 2025 e seguirá até agosto de 2026, com o objetivo de reduzir o custo do crédito e impulsionar o gasto das famílias.
Paralelamente, o governo destinou 69 bilhões de yuan em títulos especiais do tesouro para ampliar o programa de trocas de bens de consumo, atingindo a meta anual de 300 bilhões de yuan. O projeto já movimentou 1,7 trilhão de yuan em vendas este ano, com destaque para os veículos de nova energia, cujas vendas cresceram 40,3% na comparação anual.
Governos regionais também se mobilizam: Xangai distribui vouchers para consumo cultural, enquanto Wuhan oferece cupons esportivos somando 1 milhão de yuan. Além disso, o pacote anunciado em março inclui medidas para elevar a renda, estabilizar os mercados acionário e imobiliário, e expandir subsídios para cuidados infantis.
Apesar dos incentivos, economistas alertam que a demanda doméstica fraca e as incertezas externas podem continuar limitando a recuperação. O desempenho de julho aumenta a pressão sobre Pequim para alcançar a meta oficial de crescimento de cerca de 5% em 2025, enquanto busca reequilibrar a economia de um modelo voltado a investimentos para um modelo liderado pelo consumo.
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