Internacional Macroeconomia

Mercados Globais Reagem a Inflação dos EUA e Diplomacia de Alto Risco entre Trump e Putin

Dados acima do esperado reacendem temores inflacionários e reduzem apostas em cortes agressivos pelo Fed, enquanto investidores monitoram cúpula no Alasca

15/08/2025 10h12 Atualizada há 6 meses
Por: Vitor Ferreira
Mercados Globais Reagem a Inflação dos EUA e Diplomacia de Alto Risco entre Trump e Putin

Os mercados globais de ações fecharam de forma mista nesta sexta-feira (15), em um cenário de cautela após a divulgação dos dados de inflação ao produtor nos Estados Unidos, que vieram acima das expectativas. O índice de preços ao produtor (PPI) subiu 3,3% em julho na comparação anual, superando a projeção de 2,5% e reduzindo as apostas de cortes mais agressivos na taxa de juros pelo Federal Reserve.

Segundo analistas, a leitura forte da inflação praticamente retirou da mesa a possibilidade de uma redução de 50 pontos-base na próxima reunião do Fed, mantendo como cenário-base um corte de apenas 0,25 ponto em setembro — já precificado em mais de 90% pelos mercados futuros.

Ásia: trajetória divergente entre Japão e China

Nos mercados asiáticos, o desempenho foi desigual. O Nikkei 225 avançou quase 1% após o PIB japonês crescer 0,3% no trimestre, superando expectativas e evitando uma recessão técnica, mesmo sob tarifas sobre importações japonesas.
Em contraste, as bolsas chinesas sofreram pressão com a desaceleração do crescimento das vendas no varejo, que recuou para 3,7% em julho ante 4,8% em junho, e com o enfraquecimento do investimento em ativos fixos para 1,6%.

Especialistas apontam que essa divergência reflete mudanças estruturais que se intensificaram desde a crise financeira global de 2008-2009, quando os mercados asiáticos, inicialmente resistentes, acabaram sofrendo forte contração antes de se recuperar com crescimento acelerado impulsionado por reservas cambiais robustas e políticas expansionistas.

Europa e commodities

Na Europa, o DAX da Alemanha subiu 0,4% e o CAC 40 da França avançou 0,7%. Já os preços do petróleo caíram em meio à expectativa para a cúpula entre Donald Trump e Vladimir Putin no Alasca, que poderá trazer implicações sobre sanções energéticas contra a Rússia e o equilíbrio geopolítico no Leste Europeu.

Cúpula no Alasca: impacto geopolítico nos mercados

O encontro entre Trump e Putin é visto como um evento de alto risco para os mercados, com ênfase na questão da guerra na Ucrânia. Trump avaliou que há 25% de chance de fracasso nas negociações, mas indicou a possibilidade de envolver o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky em reuniões futuras. Qualquer avanço poderia mexer nos preços de commodities e no prêmio de risco global.

Próximos gatilhos

Com os investidores ainda digerindo os dados de inflação, o foco agora se volta para as vendas no varejo dos EUA, que devem oferecer novos sinais sobre a força do consumo e a trajetória da política monetária. A combinação de incertezas econômicas e tensões geopolíticas promete manter a volatilidade elevada nas próximas sessões.

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