As stablecoins, antes restritas ao universo das criptomoedas, entraram de vez no radar do sistema financeiro americano. Após a aprovação, em julho, do Genius Act, legislação que dá legitimidade e amplia o uso dessas moedas digitais atreladas ao dólar, o interesse disparou entre bancos, grandes empresas e investidores.
Esses ativos, lastreados em reservas equivalentes ao valor emitido, têm atraído atenção não apenas pela eficiência nas transações internacionais, mas também pelo peso crescente no mercado de Títulos do Tesouro dos EUA. Circle e Tether, líderes do setor, já figuram entre os maiores compradores desses papéis, ultrapassando a posição de economias como Coreia do Sul e Arábia Saudita.
O volume de uso impressiona. No início de 2024, as transações com stablecoins superaram as da Visa, reforçando o argumento de que são mais rápidas e baratas do que sistemas tradicionais, como o SWIFT. A tendência também impulsionou movimentos estratégicos, como a compra da startup Bridge pela fintech Stripe por US$ 1,1 bilhão.
Para manter a paridade com o dólar, emissores direcionam parte significativa de suas reservas para T-bills. Só a Tether já soma mais de US$ 100 bilhões nesses ativos, ocupando a 18ª posição entre os maiores detentores estrangeiros, segundo a Apollo. Projeções indicam que o setor pode atingir US$ 2 trilhões até 2028, frente aos atuais cerca de US$ 165 bilhões somados entre as principais stablecoins.
O avanço ocorre em um momento em que grandes compradores tradicionais, como China e Japão, sinalizam redução de suas posições em Treasuries. Essa lacuna pode ser parcialmente preenchida por emissores de stablecoins, fortalecendo a colocação da dívida americana e até ajudando a manter juros de longo prazo mais baixos, segundo defensores da tecnologia.
Ainda assim, há ceticismo. Analistas lembram que o volume do setor ainda é modesto perto dos US$ 7 trilhões dos fundos de mercado monetário. Além disso, bancos veem risco de migração de depósitos para stablecoins, o que poderia afetar a concessão de crédito. Outros alertam para possíveis distorções no mercado financeiro caso emissores passem a concentrar grandes volumes de T-bills de curto prazo, ativos essenciais para a liquidez de Wall Street.
No cenário atual, stablecoins parecem estar moldando uma nova camada da infraestrutura financeira global, mas é cedo para cravar seu impacto definitivo. O entusiasmo do mercado é evidente, porém, o desafio será equilibrar inovação e estabilidade. Se conseguirem manter credibilidade e transparência, Circle e Tether poderão não apenas reforçar o domínio do dólar, mas também redesenhar as engrenagens do sistema financeiro, e isso, para o bem ou para o mal, já está em andamento.
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