Os mercados iniciaram a quarta-feira sob tom misto, refletindo a expectativa crescente em torno do relatório de emprego dos Estados Unidos (payroll), previsto para quinta-feira, e a tensão renovada diante do prazo de 9 de julho — data-limite estipulada por Donald Trump para o fim da trégua comercial com países que não fecharem acordos bilaterais.
O cenário mantém os investidores em modo defensivo, especialmente após declarações do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que reforçou a dependência dos próximos dados para qualquer eventual corte de juros.
Na Ásia, o pregão foi predominantemente negativo. O índice MSCI Asia ex-Japão caiu 0,13%, com destaque para a fraqueza nas bolsas chinesas e a realização de lucros no Nikkei 225, após forte volatilidade em empresas do setor eletrônico e exportador. A força do iene frente ao dólar, que caiu para a faixa de 142,70, afetou as ações japonesas, enquanto a proximidade do fim da trégua tarifária elevou a cautela nas demais praças. A valorização do ouro e a contínua pressão sobre o índice DXY, que renovou mínimas plurianuais abaixo de 97,00, evidenciam o aumento da aversão ao risco.
Na Europa, os principais índices abriram em alta moderada, com o STOXX 600 subindo cerca de 0,3% por volta das 07h40 (horário de Brasília). Apesar do leve otimismo com rumores de possíveis avanços comerciais entre EUA e Índia, os investidores seguem atentos à trajetória fiscal americana e à capacidade do governo Trump de manter sua agenda econômica diante das críticas crescentes ao megabill fiscal de US$ 3,3 trilhões, aprovado pelo Senado. A agenda europeia do dia inclui dados sobre taxa de desemprego da zona do euro e PMI final de serviços.
Já os contratos futuros dos EUA operam com leve viés positivo, em linha com os ajustes do dia anterior e com a expectativa pela divulgação do ADP (emprego privado) e dos cortes de emprego da Challenger, que servem de prévia ao payroll. O S&P 500 futuro sobe cerca de 0,2%, enquanto Nasdaq e Dow Jones futuros também apresentam ganhos discretos. As declarações recentes de Powell reforçaram que julho ainda está "em aberto", e o mercado ajusta suas apostas: a chance de corte em julho subiu para 21,2%, segundo a ferramenta FedWatch da CME.
No câmbio, o dólar segue pressionado globalmente. O euro mantém-se acima de US$ 1,18, enquanto a libra flutua na casa de US$ 1,37. O ouro rompeu a faixa dos US$ 3.360 por onça, sustentado pelo recuo do dólar e pela busca por ativos de proteção. O petróleo WTI gira próximo de US$ 65,40, com os traders monitorando a próxima reunião da OPEP+ e seus impactos sobre a oferta.
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