Os mercados internacionais abriram julho com forte dose de cautela. A movimentação dos investidores reflete o acúmulo de fatores de risco: o avanço do pacote fiscal trilionário nos Estados Unidos, declarações que reacendem temores de uma nova rodada de tarifas comerciais e a expectativa por dados importantes do mercado de trabalho americano ao longo da semana.
Na Ásia, as bolsas fecharam mistas. O Nikkei recuou 1,3%, pressionado pela valorização do iene frente ao dólar, que prejudica a competitividade das exportadoras japonesas — muitas delas pesam fortemente na composição do índice. Já o Kospi (Coreia do Sul) subiu cerca de 1,1%, apoiado pelo bom desempenho de empresas do setor de tecnologia. Os mercados da China encerraram em leve alta, com o Shanghai Composite e o CSI300 avançando em torno de 0,2%, diante de sinais de estabilização nos indicadores internos.
A atenção global se concentra agora no pacote fiscal de US$ 3,3 trilhões proposto por Donald Trump, que será votado no Senado nesta semana. O Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) estima que o plano pode adicionar essa cifra à dívida pública americana ao longo de uma década. Apesar do impulso de curto prazo para a economia, a proposta levanta preocupações com a sustentabilidade fiscal dos EUA e o impacto sobre a confiança dos investidores em títulos do Tesouro.
Na Europa, os principais índices abriram sem direção definida. O Euro Stoxx 50 e o DAX alemão operam com leves variações positivas, mas o apetite por risco permanece contido. Além das incertezas fiscais americanas, o mercado digere declarações recentes do presidente Trump e do secretário do Tesouro, Scott Bessent, que sugerem que os EUA podem retomar as tarifas mais agressivas anunciadas em abril caso parceiros não fechem acordos até o início de setembro — com críticas diretas ao Japão.
No pré-market americano, os contratos futuros dos principais índices recuam de forma moderada, refletindo o ambiente mais defensivo após as máximas históricas alcançadas pelo S&P 500 e pelo Nasdaq na véspera. Investidores agora aguardam o relatório de empregos (payroll) que será divulgado na quinta-feira, véspera do feriado da Independência nos EUA. O dado deve calibrar as expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve, que enfrenta o dilema entre conter os impactos inflacionários das tarifas e manter a resiliência do mercado de trabalho.
O dólar, por sua vez, segue pressionado, operando em queda frente às principais moedas. A moeda americana acumula desvalorização de 10,5% no semestre, o pior resultado desde 1973, quando os EUA adotaram o regime de câmbio flutuante. A fraqueza do dólar tem sido atribuída tanto às incertezas fiscais quanto à expectativa de cortes de juros pelo Fed nos próximos meses.
Já no mercado de commodities, o petróleo tipo Brent recuou para US$ 67,55, com investidores antecipando um possível aumento de produção pela OPEP+ a partir de agosto. O ouro, por outro lado, voltou a se valorizar, sendo negociado próximo a US$ 3.322 por onça, refletindo a busca por ativos de proteção em meio ao cenário fiscal e geopolítico cada vez mais instável.
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