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Mercado brasileiro inicia semana em alta com apoio de PIB forte e pausa nos juros

Decisão do Banco Central de manter a Selic em 15% e crescimento acima do esperado reforçam confiança em ativos locais e impulsionam Ibovespa.

30/06/2025 05h27 Atualizada há 8 meses
Por: Vitor Ferreira
Mercado brasileiro inicia semana em alta com apoio de PIB forte e pausa nos juros

O mercado brasileiro abre a semana com sinal de alta moderada, sustentado por um ambiente doméstico que combina crescimento acima do esperado, inflação em trajetória de desaceleração e uma política monetária que, embora ainda contracionista, oferece sinais de estabilidade no curto prazo. O tom da abertura desta segunda-feira (30), é de maior previsibilidade e menor aversão ao risco.

O principal catalisador para o alívio nos ativos locais foi a decisão do Banco Central de manter a taxa Selic em 15% e indicar, pela primeira vez desde o início do ciclo de aperto, uma pausa técnica. A autoridade monetária avaliou que os efeitos do aperto acumulado ainda não foram plenamente sentidos pela economia, e optou por aguardar os desdobramentos antes de novos movimentos. Essa sinalização aliviou a pressão sobre a curva de juros futuros e animou papéis sensíveis à taxa básica, como varejo e construção civil.

Outro fator que contribui para o bom humor é a leitura do PIB do primeiro trimestre, que surpreendeu positivamente com alta de 1,4% frente ao trimestre anterior e avanço acumulado de 2,9% em 12 meses. O crescimento foi impulsionado pelo agronegócio e pelo consumo das famílias, mesmo com juros elevados — um sinal de que a atividade segue resiliente. Esse desempenho levou o próprio Banco Central a revisar sua projeção de crescimento para o ano de 2025 para 2,1%, reforçando a confiança em setores ligados à economia doméstica.

No câmbio, o real mantém estabilidade entre R$ 5,64 e R$ 5,70. A combinação de Selic elevada e fluxo externo favorável ajuda a controlar a volatilidade, mesmo com discussões fiscais em pauta. Esse cenário dá suporte para ativos de risco e reduz a pressão de hedge em dólar.

A agenda do dia inclui a divulgação da arrecadação federal de maio e do resultado primário consolidado do setor público. Se os dados vierem acima das expectativas, podem reforçar a percepção de responsabilidade fiscal e contribuir para a valorização do real e a compressão da curva de juros, criando espaço para o Ibovespa sustentar o movimento de alta.

Apesar do viés positivo, investidores seguem atentos às negociações em torno da reforma tributária e possíveis mudanças na cobrança de IOF sobre transações digitais, temas que seguem no radar do mercado e podem trazer ruídos no curto prazo.

Com cenário macro local mais previsível e dados econômicos que surpreendem positivamente, o mercado brasileiro inicia a semana com terreno fértil para valorização. Mas o movimento dependerá da qualidade dos próximos sinais — tanto do campo fiscal quanto da comunicação do Banco Central.

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