O ouro enfrenta uma nova rodada de pressão no mercado internacional. O metal, tradicionalmente procurado como proteção em tempos de incerteza, recua nesta sexta-feira e opera abaixo da faixa de US$ 3.300, acumulando perdas próximas de 2% na semana.
O movimento ocorre em meio à melhora do apetite global por risco, impulsionada pela confirmação do acordo comercial entre China e Estados Unidos — anunciado no início de junho e formalizado agora.
A retomada da confiança entre as duas maiores economias do mundo desloca fluxos de refúgio para ativos mais arriscados, como ações e commodities cíclicas, reduzindo a demanda por ouro. Esse ambiente é reforçado pelos dados de inflação divulgados hoje nos EUA. O índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), a medida preferida do Federal Reserve, ficou em linha com as expectativas no núcleo geral, mas veio mais alto no dado central, excluindo alimentos e energia.
O PCE núcleo avançou 0,2% no mês, acima do previsto, e a taxa anual subiu para 2,7%, pressionando as expectativas de flexibilização monetária. Por outro lado, os dados de consumo decepcionaram: a renda pessoal caiu 0,4% e os gastos recuaram 0,1%, sinalizando fragilidade no lado real da economia. Esse contraste entre inflação firme e atividade fraca cria um dilema para o Fed, que agora enfrenta pressão política adicional por parte do governo dos EUA para cortar juros já em julho.
Embora cortes de juros, em tese, favoreçam o ouro, o deslocamento de capital para ações e ativos de risco no curto prazo tende a manter o metal pressionado. A fragilidade do consumo pode se tornar o próximo foco de preocupação nos mercados e, caso se intensifique, devolver força ao ouro como proteção contra uma desaceleração mais ampla.
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