A sexta-feira (27) começou com apetite por risco nos mercados globais. Na Ásia, o índice MSCI Asia-Pacific (ex-Japão) fechou no maior patamar desde novembro de 2021, impulsionado pelo avanço nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China, especialmente sobre exportações estratégicas de terras raras. O Japão liderou os ganhos: o Nikkei 225 saltou 1,4% e superou novamente os 40 mil pontos, refletindo também o desempenho forte de Wall Street nos últimos dias.
Em contrapartida, as bolsas da China continental e de Hong Kong fecharam em queda, pressionadas pela frustração com os dados de lucro industrial, que despencaram 9,1% em maio. O dado reacendeu dúvidas sobre a consistência da recuperação econômica chinesa, ainda marcada por deflação em setores produtivos e baixa confiança empresarial.
Na Europa, os índices abriram com viés positivo. O EuroStoxx 50 e o DAX avançavam cerca de 0,5% nas primeiras horas da manhã, refletindo o alívio geopolítico após sinais de distensão no Oriente Médio e a trégua entre potências ocidentais e a China no comércio global. O noticiário de Washington e Pequim voltou a alimentar a tese de uma retomada coordenada da economia global.
Nos Estados Unidos, os contratos futuros do S&P 500 e Nasdaq operavam em leve alta no pré-mercado, reforçando o clima de otimismo. O dólar, por sua vez, segue pressionado e encosta nas mínimas dos últimos três anos e meio, com os investidores ajustando as apostas para cortes de juros ainda em 2025. A percepção de que o Federal Reserve pode ter sua independência política questionada também pesa sobre a moeda americana.
O pano de fundo desta sexta-feira combina: menor risco geopolítico, expectativa de estímulos na China e uma leitura mais dovish sobre os próximos passos do Fed. O resultado é um ambiente global mais receptivo ao risco, abrindo espaço para novos ganhos nos ativos internacionais.
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