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Pressão Fiscal Derruba Ibovespa e Faz Dólar Disparar Mesmo com Trégua no Oriente Médio

Mercado brasileiro fecha em queda diante do risco fiscal, avanço do projeto contra o IOF e cautela global mesmo após trégua entre Irã e Israel.

25/06/2025 20h30 Atualizada há 8 meses
Por: Vitor Ferreira
Pressão Fiscal Derruba Ibovespa e Faz Dólar Disparar Mesmo com Trégua no Oriente Médio

O mercado financeiro brasileiro fechou esta quarta-feira (25) em queda expressiva, em meio à piora do ambiente fiscal doméstico e à cautela no cenário externo. O Ibovespa recuou 1,02%, encerrando aos 135.767 pontos, no menor patamar em mais de duas semanas. O giro financeiro foi moderado, somando R$ 19,1 bilhões, em um pregão marcado por aversão seletiva ao risco.

O principal fator de pressão veio de Brasília. A aprovação na Câmara do projeto que revoga o aumento do IOF sobre operações de crédito reacendeu temores sobre a sustentabilidade fiscal. A medida é interpretada pelo mercado como um retrocesso no compromisso com o equilíbrio das contas públicas, em um momento em que o governo já enfrenta dificuldades para entregar as metas do novo arcabouço fiscal.

No câmbio, o dólar comercial subiu 0,66%, fechando cotado a R$ 5,5551, refletindo o aumento da percepção de risco local. Ao mesmo tempo, os juros futuros ajustaram-se para cima, especialmente nos vencimentos intermediários, impulsionados pela leitura fiscal negativa e pela reprecificação global dos ativos com o fim de semestre se aproximando.

No campo das ações, Petrobras e grandes bancos recuaram, acompanhando o pessimismo com o fiscal e a realização de lucros. Vale também fechou no vermelho, com o minério de ferro recuando nos mercados asiáticos. Entre as maiores quedas do dia, Hapvida despencou mais de 5% após mudanças regulatórias impostas pela ANS. Já papéis como C&A e Vamos figuraram entre as poucas altas, num movimento isolado de rotação setorial.

Apesar da trégua anunciada entre Irã e Israel, o mercado manteve postura defensiva. Os investidores ainda monitoram a durabilidade do cessar-fogo e seus impactos sobre a estabilidade no fornecimento de petróleo. Enquanto isso, nos Estados Unidos, o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, manteve o tom vigilante. A ausência de um sinal claro sobre corte de juros ampliou a aversão a risco nos mercados emergentes.

Com isso, o sentimento de curto prazo permanece fragilizado. A combinação entre deterioração fiscal, incerteza global e ajuste de carteiras típicos de fim de semestre pressiona os ativos locais e exige atenção redobrada dos investidores nas próximas sessões.

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