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Mercado brasileiro deve abrir em alta com Selic estável, fluxo estrangeiro firme e tensão no cenário global

Pausa técnica do Banco Central sustenta apetite por risco; Ibovespa pode testar 137 mil pontos com apoio do câmbio valorizado.

25/06/2025 05h30 Atualizada há 8 meses
Por: Vitor Ferreira
Mercado brasileiro deve abrir em alta com Selic estável, fluxo estrangeiro firme e tensão no cenário global

O pregão desta quarta-feira (25) começa sob a influência direta da decisão do Banco Central, que optou por interromper temporariamente o ciclo de alta da Selic, agora estabilizada em 15%. A autoridade monetária reconhece que os efeitos acumulados dos sucessivos aumentos de juros ainda estão sendo absorvidos pela economia. Essa pausa, contudo, não significa alívio definitivo. O BC manteve o tom vigilante, deixando claro que poderá retomar o aperto caso as expectativas de inflação não voltem de forma consistente para o centro da meta.

Essa postura técnica e cuidadosa tem sido suficiente para sustentar o apetite seletivo ao risco. O fluxo de capital estrangeiro segue ativo, atraído pelo robusto diferencial de juros brasileiro em relação ao cenário global, especialmente em um ambiente onde os emergentes começam a recuperar protagonismo nas carteiras internacionais. Com isso, o Ibovespa inicia o dia com viés de alta moderada, testando a faixa dos 137 mil pontos.

No câmbio, o real segue firme, operando na casa dos 5,64 por dólar. A moeda brasileira encontra sustentação no próprio movimento de fluxo externo e na perspectiva de estabilidade da política monetária local. Esse câmbio valorizado segue oferecendo alívio às pressões inflacionárias via importações mais baratas, ainda que imponha um desafio extra à competitividade das exportações.

No exterior, o pano de fundo permanece sensível. Tensões comerciais latentes entre grandes economias e riscos geopolíticos no Oriente Médio mantêm os investidores em estado de alerta. Eventuais desdobramentos podem afetar diretamente os preços das commodities, um fator de peso na performance de diversos papéis brasileiros ligados ao agronegócio e mineração.

Enquanto isso, o setor agrícola brasileiro começa a sentir os efeitos de safra robusta em segmentos como o café, o que pressiona os preços e pode impactar o desempenho de exportadoras ao longo do trimestre. Já os dados mais recentes de inflação ainda acima do centro da meta — mesmo com sinais de arrefecimento — mantêm a política monetária sob avaliação constante.

O mercado entra no pregão de hoje com um equilíbrio delicado: a pausa na Selic anima parte dos investidores, mas não afasta o fator de vigilância sobre a inflação e a trajetória fiscal. Em paralelo, o fluxo externo e o fortalecimento dos emergentes oferecem combustível adicional, enquanto o cenário global serve de lembrete de que a volatilidade pode voltar a qualquer sinal de instabilidade.

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