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Ibovespa cai com petróleo em forte queda e tensão geopolítica

Mercado brasileiro fecha em queda sob pressão dos conflitos no Oriente Médio, desvalorização do petróleo e ajustes econômicos internos; investidores seguem cautelosos diante da alta volatilidade global.

23/06/2025 20h01 Atualizada há 8 meses
Por: Vitor Ferreira
Ibovespa cai com petróleo em forte queda e tensão geopolítica

O mercado brasileiro encerrou a sessão desta segunda-feira (23), sob forte influência do cenário externo instável. O Ibovespa recuou 0,41%, fechando aos 136.550,50 pontos, com volume financeiro de R$ 20,51 bilhões, refletindo a postura cautelosa dos investidores diante da tensão no Oriente Médio e da queda acentuada dos preços do petróleo.

A crise geopolítica envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel continuou no centro das atenções. Após os ataques americanos a instalações nucleares iranianas, o Irã retaliou com ofensivas contra bases americanas no Iraque e no Catar. Apesar do aumento da tensão, a ausência de vítimas ajudou a conter o pânico nos mercados. Ainda assim, o nível de aversão ao risco permaneceu elevado, limitando o apetite por ativos brasileiros.

O petróleo foi o grande catalisador do movimento de queda na B3. Com o Brent desabando mais de 7% e encerrando o dia a US$ 71,48, as ações da Petrobras recuaram cerca de 2,8%, pressionando fortemente o índice. Empresas expostas ao setor de combustíveis e logística, como Cosan, Raízen e Grupo Vamos, também registraram perdas relevantes.

No câmbio, o dólar comercial teve um dia volátil. A moeda começou em alta, mas reverteu o movimento com a leitura de que o Irã adotou uma postura mais contida. O dólar encerrou o dia em queda de 0,39%, cotado a R$ 5,5032. Ajudaram nessa reversão declarações de dirigentes do Federal Reserve sinalizando possível flexibilização monetária nos EUA caso o cenário inflacionário permita.

Entre os destaques positivos do dia, papéis defensivos mostraram força. BRF e Marfrig avançaram mais de 4%, impulsionadas por expectativas de maior demanda externa por proteínas diante de potenciais disrupções logísticas globais. Algumas empresas de energia elétrica e varejo também registraram desempenho firme em meio ao ambiente de incerteza.

No front doméstico, o Boletim Focus trouxe revisão para cima no crescimento do PIB de 2025, agora estimado em 2,21%, ancorado na força do agronegócio e do consumo. A inflação, por sua vez, foi ajustada para baixo, com projeção de 5,24% no IPCA, o que pode abrir espaço para um eventual ajuste na política monetária caso o cenário externo se estabilize.

O fechamento desta segunda-feira confirma o ambiente de cautela dominante, com os investidores monitorando atentamente o desenrolar da crise no Oriente Médio, os sinais de política monetária global e os próximos indicadores econômicos internos, enquanto a volatilidade segue ditando o ritmo dos mercados.

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