A semana se inicia sob forte impacto da escalada militar no Oriente Médio, após os Estados Unidos atacarem instalações nucleares iranianas no final de semana. A ação elevou o risco de interrupção no fluxo global de energia, reacendeu temores inflacionários e provocou um reposicionamento defensivo nos mercados.
Na abertura asiática, o fluxo vendedor predominou. No Japão, o Nikkei 225 caiu 0,5%, mesmo com dados positivos do setor de serviços. O país, altamente dependente de energia importada, sofre com a alta do petróleo, que pressiona custos e consumo. Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 0,4%, afetado tanto pelas tensões externas quanto pela fragilidade de setores como tecnologia e exportação. Na Coreia do Sul, o Kospi perdeu 0,6%, refletindo o risco sobre indústrias intensivas em energia, como semicondutores e automóveis.
O maior baque foi na Índia: o Sensex despencou mais de 800 pontos e o Nifty rompeu os 24.900 pontos. Como uma das maiores importadoras globais de petróleo, o país sente diretamente os efeitos do encarecimento da commodity sobre suas contas externas e inflação, reduzindo a margem de manobra do banco central.
O petróleo, epicentro da tensão, reagiu com forte alta. O WTI chegou a subir 6,2% no intraday, encerrando com alta de 2%, cotado a US$ 75,31. O Brent subiu para US$ 78,52. A principal preocupação recai sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo global. Qualquer bloqueio nesse corredor estratégico pode comprometer o abastecimento e ampliar o desequilíbrio entre oferta e demanda.
A alta do petróleo pressiona cadeias logísticas, eleva custos de produção e ameaça o processo de desinflação em várias economias centrais. Na Europa, o Stoxx Europe 600 recuava 0,3% na abertura, o DAX caía 0,19%, o CAC 40 cedia 0,38% e o FTSE 100, 0,67%. Embora o PMI composto da zona do euro tenha permanecido estável em 50,2 pontos, a atividade industrial segue enfraquecida, com recuperação ainda incerta na Alemanha, agravada agora pelos custos energéticos em alta.
Nos EUA, o pré-mercado ainda buscava direção. Inicialmente positivo, inverteu com o avanço da cautela global. Dow Jones recuava 0,36%, S&P 500 0,39% e Nasdaq 0,52%. A alta do petróleo pressiona as expectativas de inflação e pode forçar o Federal Reserve a repensar o ritmo de cortes de juros. Com isso, o apetite por ativos de risco, especialmente em tecnologia, fica contido.
Diante do novo choque geopolítico, os mercados entram na semana em modo defensivo. A reação do Irã será o próximo fator crítico. Qualquer escalada militar poderá ampliar a aversão ao risco, fortalecer o dólar, penalizar emergentes e provocar novas reprecificações, tanto no petróleo quanto nas curvas de juros globais.
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