O mercado brasileiro encerrou o pregão desta quarta-feira (18) em terreno negativo, pressionado pela surpresa vinda do Banco Central e pelos ajustes nos setores mais sensíveis ao novo cenário monetário. O Ibovespa recuou 0,09%, aos 138.716 pontos, com volume financeiro de R$ 22,8 bilhões, em um pregão de liquidez reduzida na véspera do feriado de Corpus Christi.
O principal fator que ditou o rumo do mercado foi a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que optou por elevar a taxa Selic de 14,75% para 15% ao ano. A elevação, acima da expectativa majoritária dos analistas, foi justificada pelo Banco Central como necessária diante da persistência de núcleos de inflação ainda elevados e da necessidade de ancorar expectativas, em um contexto de maior incerteza fiscal e riscos externos em alta. A indicação de que o ciclo de juros poderá permanecer restritivo por mais tempo levou os investidores a recalibrar suas posições ao longo do pregão.
No campo corporativo, o setor de commodities exerceu forte pressão sobre o índice. As ações da Vale e da Usiminas registraram perdas, refletindo a queda do minério de ferro no mercado internacional, impactado por novas sinalizações de desaquecimento no setor imobiliário da China. Como a Vale tem peso significativo no Ibovespa, seu desempenho negativo foi um dos principais vetores da queda do índice.
O setor bancário também contribuiu para o viés de baixa. As ações de Itaú e Bradesco recuaram, refletindo o impacto da manutenção de juros elevados sobre o crédito, com possível aumento na inadimplência e margens mais pressionadas no médio prazo.
A Petrobras chegou a sustentar o índice no início do pregão, acompanhando a leve alta do petróleo no mercado externo, mas perdeu força na reta final e fechou praticamente estável. O setor de varejo também seguiu pressionado: com o encarecimento do crédito e a perspectiva de atividade mais lenta, papéis como Magazine Luiza e Via fecharam em queda.
No câmbio, o dólar comercial registrou leve alta de 0,04%, encerrando cotado a R$ 5,50, refletindo tanto o movimento global de busca por segurança quanto a nova dinâmica interna de juros mais elevados. No mercado de juros futuros, os contratos de DI ajustaram-se à decisão do Copom: o vencimento para janeiro de 2026 fechou a 14,87% ao ano, enquanto os contratos para 2029 e 2036 encerraram em 13,55% e 13,75%, respectivamente.
Apesar do recuo pontual desta quarta-feira, o Ibovespa ainda acumula valorização superior a 15% em 2025, sustentado principalmente pela entrada contínua de capital estrangeiro. No entanto, a nova elevação da Selic e a sinalização do Banco Central de manutenção de um viés mais restritivo impõem um ambiente de maior seletividade e prudência aos investidores daqui para frente.
Com o novo patamar de juros oficialmente estabelecido, o mercado volta suas atenções para a reação pós-feriado, quando as mesas reabrem já sob uma realidade monetária ainda mais desafiadora.
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