As bolsas europeias encerraram o pregão desta quarta-feira em queda, refletindo o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e a expectativa pela decisão de política monetária do Federal Reserve.
O índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 0,4%, atingindo o menor nível em quase um mês.
O conflito entre Israel e Irã completa o sexto dia de escalada militar, ampliando o clima de aversão ao risco nos mercados. O temor cresceu após novas declarações de Donald Trump, que reforçou a pressão sobre o regime iraniano ao exigir publicamente a “rendição incondicional” do Irã e admitir a possibilidade de envolvimento militar direto dos EUA em apoio a Israel. Embora nenhuma ofensiva formal tenha sido iniciada pelos Estados Unidos até o momento, as discussões internas na Casa Branca ampliam a incerteza global.
Entre os setores europeus, o de defesa foi destaque positivo, com alta de 0,6% diante da percepção de maior demanda por equipamentos militares. Em contrapartida, o setor de saúde liderou as perdas, com queda de 1% em Novo Nordisk após decisão judicial nos EUA envolvendo seus medicamentos Ozempic e Wegovy. O FTSE 100 de Londres registrou leve baixa de 0,1%, mesmo com a inflação britânica dentro do esperado. Já o banco central da Suécia reduziu os juros de 2,25% para 2,00%, mas o índice de Estocolmo também recuou 0,1%.
Além do risco geopolítico, o mercado europeu segue atento à reunião de política monetária do Federal Reserve, prevista para o fim do dia. A expectativa majoritária é de manutenção das taxas, mas investidores aguardam com atenção o discurso de Jerome Powell para avaliar possíveis sinais sobre o futuro da política monetária americana, principalmente em meio aos novos riscos inflacionários derivados do conflito.
No campo comercial, as negociações entre EUA e União Europeia seguem travadas. Com o prazo da pausa tarifária se encerrando em 8 de julho, Bruxelas e Washington ainda tentam avançar nos termos de um possível acordo, enquanto apenas o acordo bilateral entre EUA e Reino Unido já foi formalizado.
O pregão europeu reflete, portanto, uma combinação de cautela global diante da crise geopolítica, incerteza monetária nos Estados Unidos e dificuldades adicionais no campo comercial internacional.
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