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AMD e Palantir em 2025: cenário completo para quem precisa decidir agora
Ainda dá para entrar. Em AMD, a relação risco-retorno segue favorável se você aceitar execução como variável crítica. Em Palantir, a empresa é excelente, mas o preço cobra perfeição. Entradas pedem disciplina e faixas.
07/10/2025 11h07
Por: Vitor Ferreira

Onde estamos hoje

AMD. O acordo com a OpenAI sela fornecimento para até 6 GW de capacidade de IA a partir de 2026 e embute potencial de mais de 100 bilhões de dólares em novas receitas ao longo de vários anos. Isso elevou o humor de Street e a ação. O Q2 trouxe receita recorde de 7,7 bilhões de dólares e o Q1 já havia mostrado data center crescendo 57 por cento, puxado por EPYC e Instinct. 

Riscos presentes. Exportações para a China seguem condicionadas. A própria AMD projetou impacto de 1,5 bilhão de dólares em 2025 e o novo arranjo de licenças inclui uma taxa de 15 por cento sobre a receita de vendas de chips de IA para a China. Isso melhora a previsibilidade, mas reduz margem e atrasa ramp-ups. 

Pano de fundo competitivo. Na GPU discreta de PC, a Nvidia detém cerca de 92 por cento do mercado, contra 8 por cento da AMD. Em IA de data center, a vantagem de ecossistema ainda pesa a favor da Nvidia. 

Palantir. A operação entregou um trimestre de referência. Receita de 1,004 bilhão de dólares no Q2, alta de 48 por cento ano contra ano, margem operacional ajustada de 46 por cento e fluxo de caixa livre ajustado de 569 milhões. A aceleração nos EUA, com comercial crescendo 93 por cento, foi o destaque. A empresa elevou o guidance anual. 

Consenso hoje. AMD aparece como “Moderate Buy”, com alvo médio em torno de 190 a 210 dólares e topos em 300. Palantir tem “Hold” com alvo médio por volta de 140 dólares, bem abaixo do preço atual. Use isso como régua de expectativa, não como destino. 

AMD: cenários de 12 a 18 meses

Premissas comuns. Oferta de HBM e empacotamento avançado melhora ao longo de 2026. Exportações à China seguem licenciadas com a taxa de 15 por cento. Ramp de Instinct e EPYC continua, sem rupturas prolongadas de supply chain. 

Bull case. Probabilidade 35 por cento.
• Entrega consistente do acordo com a OpenAI e novos clientes âncora.
• Mix de data center acima de 45 por cento da receita total e melhora de margem.
• Mercado reprecifica execução e fecha o “desconto CUDA”.
Faixa de preço provável: 250 a 300 dólares. Gatilhos: milestones do contrato, indícios de share gain em aceleradores, guidance acima do consenso. 

Base case. Probabilidade 45 por cento.
• Crescimento sólido em data center e clientes x86, porém com gargalos pontuais de HBM.
• China contribui de forma limitada, porém previsível sob o esquema de 15 por cento.
Faixa de preço provável: 190 a 230 dólares. Gatilhos: Qs em linha, visibilidade de HBM, pipeline de MI450. 

Bear case. Probabilidade 20 por cento.
• Atrasos de supply, exportações travadas ou canibalização por soluções proprietárias.
• Nvidia mantém fosso de software e acelera lançamentos.
Faixa de preço provável: 140 a 170 dólares. Sinais de alerta: cortes de capex em hyperscalers, queda de bookings de aceleradores. 

Estratégia de entrada. Escada de compras. 40 por cento agora. 30 por cento em recuos para a faixa 190 a 200. 30 por cento apenas com gatilho operacional confirmado no contrato OpenAI. Hedge tático com put spread de 10 a 15 por cento abaixo do spot em temporada de resultados. 

KPIs para monitorar. Receita de data center trimestral. Disponibilidade de HBM. Cronograma de MI450 e volumes associados ao acordo. Exposição efetiva à China após licenças. Participação em servidores x86. 

Palantir: cenários de 12 a 18 meses

Premissas comuns. AIP segue tracionando em base instalada. EUA continuam alocando orçamento a projetos críticos. A empresa preserva margens ajustadas elevadas. 

Bull case. Probabilidade 25 por cento.
• Crescimento anual acima de 40 por cento com margem ajustada perto de 45 a 50 por cento.
• Comercial nos EUA mantém expansão forte e governo renova compromissos plurianuais.
Faixa de preço provável: 185 a 215 dólares. Gatilhos: novos contratos soberanos, “land and expand” visível em AIP. 

Base case. Probabilidade 50 por cento.
• Crescimento desacelera para 30 a 35 por cento. Margem ajustada fica em 38 a 42 por cento.
• Múltiplo comprime modestamente, mas FCF sustenta o case.
Faixa de preço provável: 120 a 160 dólares. 

Bear case. Probabilidade 25 por cento.
• Desaceleração do comercial e postergação de programas governamentais.
• Reprecificação mais dura do múltiplo.

Faixa de preço provável: 80 a 110 dólares. Sinais de alerta: guidance abaixo de 30 por cento, contratos adiados, queda do “Rule of 40”. 

Estratégia de entrada. Para quem está fora, priorize correções para a faixa 120 a 130. Para quem está dentro e com ganho relevante, realize uma parte em força e use um collar simples para proteger 10 a 15 por cento do capital. Para posições novas acima de 170, trate como tática de momentum com stop técnico claro.

KPIs para monitorar. Crescimento do comercial nos EUA. Margem operacional ajustada. FCF trimestral. “Remaining deal value” e contagem de clientes com contratos acima de 10 milhões. Guidance anual. 

Calendário de catalisadores

Próximos 3 a 6 meses. Temporada de resultados, linhas sobre exportações para China, updates de capacidade HBM. Em Palantir, contratos federais e renovações. 

Próximos 6 a 12 meses. Visibilidade de roadmap MI450 e cronograma de instalações. Ramp comercial do AIP em setores regulados e expansão internacional. 

Tamanho de posição e risco

• Teto de 3 a 5 por cento por ativo em carteira diversificada.
• Exposição combinada AMD+PLTR até 7 por cento, crescente apenas com gatilhos entregues.
• Use volatilidade a seu favor. Compre frações. Proteja com puts em janelas de evento.

Ainda dá tempo. Em AMD, sim, com disciplina e foco em execução. Em Palantir, sim, se o preço corrigir ou se a tese for de longo prazo com tolerância a compressão de múltiplos. O mercado vai punir tropeços. O prêmio está em quem souber comprar bem e monitorar de perto. 

Este material tem caráter opinativo e educacional. Não constitui oferta ou recomendação formal de investimento.

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