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EUA flerta com o escuro enquanto a Bolsa insiste em acender luzes
Shutdown à vista, ouro em brasa, petróleo de mau humor
30/09/2025 11h05 Atualizada há 5 meses
Por: Cláudia Lívia

Hoje o mercado abriu com cara de quem dormiu pouco. S&P 500 e Nasdaq 100 cederam milímetros enquanto Washington ensaia um possível desligamento de luzes. Não é fim do mundo. É aquela pausa incômoda que atrasa indicadores e puxa o freio da tomada de risco.

Setembro resolveu contrariar o estereótipo. A Nasdaq soma por volta de 5,3 por cento no mês e o S&P 500 avança perto de 3,1 por cento. Quem puxa a fila são as gigantes de tecnologia embaladas pelo entusiasmo com a inteligência artificial. A pergunta que eu faço sempre é simples. Quanto dessa euforia vira lucro recorrente. Nvidia ajuda a lembrar que a narrativa é boa, mas a volatilidade cobra presença.

O ouro se comporta como um adulto na sala. Depois de tocar recordes, trabalha perto de 3.814 dólares por onça, leve queda no dia e mais de 40 por cento em doze meses. Em tempos de ruído fiscal e expectativa de cortes de juros, ele cumpre seu papel de seguro de portfólio. Não promete nada mirabolante. Entrega diversificação.

O petróleo acordou de mau humor. Sinais de oferta maior pela Opep mais e o retorno das exportações do Curdistão no Iraque pressionaram os preços em torno de 1,36 por cento. O setor ainda digere um quadro de demanda mais fraca e possíveis ajustes corporativos. Para quem investe, vale separar oscilações de curto prazo de fundamentos que realmente pagam a conta.

Cripto voltou a conversar com o otimismo de outubro. O Bitcoin superou 114 mil dólares e estacionou perto de 113,5 mil. Ajudam o histórico favorável do mês, compras de grandes carteiras e um clima geopolítico menos tenso. Ethereum ronda 4.150 dólares apoiado por fluxo em ETFs. XRP segue comprimido abaixo de 3 dólares à espera de decisões regulatórias a partir de 18 de outubro. Solana recuou cerca de 2,6 por cento, porém sinais técnicos sugerem acumulação enquanto parte do mercado especula sobre um ETF em breve. É um ambiente que exige sangue frio e tamanho de posição bem pensado.

No câmbio, o euro respira. O par euro dólar ronda 1,17 com o dólar mais fraco diante do risco de shutdown e de cortes de juros no horizonte. A Europa segue com indicadores mistos. Nada de festa, nada de tragédia.

Entre as commodities discretas, cobre e cacau aliviam depois de ralis fortes no verão. O cobre caiu por volta de 1,31 por cento no dia e ainda sobe no acumulado do ano. O cacau recuou perto de 0,67 por cento com demanda mais contida e projeções de normalização adiante.

O que eu tiro disso tudo é o seguinte. A manchete é barulhenta. A carteira vencedora é silenciosa. Em semanas como esta, personalidade não é ser agressivo no risco. Personalidade é ter método. Diversifique com propósito. O resto é espuma. E espuma não paga dividendo. Veja aqui