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Nvidia balança a tecnologia, mas Wall Street sustenta recordes: GDP a 3,3%, petróleo recua e Bitcoin ganha tração
Lucros fortes, porém mistos, puxam rotação fora de mega techs; revisão do PIB para 3,3% reforça apetite a risco, enquanto petróleo cede com tarifas e dúvidas de demanda e o Bitcoin avança.
28/08/2025 13h56 Atualizada há 6 meses
Por: Igor Silva

A temporada de balanços manteve o suporte aos índices de Nova York, mesmo com a turbulência em mega techs após a Nvidia. O S&P 500 e o Nasdaq permanecem próximos de recordes, amparados por resultados sólidos em diversos setores e por uma rotação para nomes de software e small caps.

Do lado macro, a revisão do PIB dos EUA para 3,3% no 2º tri reforça a tese de crescimento resiliente às vésperas do próximo ciclo de cortes do Fed. Em commodities, o petróleo recua com ruídos de tarifas e sazonalidade. Em cripto, o Bitcoin acelera com maior liquidez e novidades institucionais.

A Nvidia entregou lucro forte, mas decepcionou no recorte de data center e manteve guidance cauteloso ao excluir vendas para a China, em meio a tensões comerciais. O efeito manada sobre o Nasdaq foi imediato: pregão irregular, com rotações pontuais para segmentos menos esticados.

O recado ao investidor: a história de IA segue viva, porém com exigência maior de execução e preço. Valuation volta ao centro do debate.

Rotação: software e small caps seguram a maré

Com mega techs sem liderança clara, a alta migra para software e small caps. Destaques recentes como MongoDB e Okta ajudam a sustentar o ritmo dos índices, sugerindo que o bull market se amplia além de poucos nomes de IA.

A Snowflake saltou após superar receitas e revisar guidance para cima, indicando demanda contínua em analytics habilitado por IA.
A Dollar General também avançou, com vendas robustas e melhora do outlook, elevando o humor em varejo e consumo.

Macro: PIB revisado para 3,3% e confiança pré-Fed

A revisão do PIB dos EUA para 3,3% no 2º trimestre superou expectativas e melhorou o sentimento. O quadro de crescimento mais firme, somado à desaceleração inflacionária recente, alimenta a confiança de cortes de juros já no próximo mês.

Mesmo com quedas maiores que o previsto nos estoques dos EUA, o WTI/Brent recuou. Pesaram a desaceleração sazonal de fim de verão, as novas tarifas de 50% sobre importações indianas e a incerteza sobre fluxos Índia–Rússia em meio ao conflito na Ucrânia — fatores que enfraquecem o humor no curto prazo.

O Bitcoin subiu mais de 1,5%, apoiado por captações relevantes no setor e expectativa de novas listagens, incluindo a estreia iminente da American Bitcoin no Nasdaq. Altcoins permanecem ativas, com pedidos de ETF e sinais de recuperação entre projetos estabelecidos.

O mercado mantém tendência positiva, mas mais seletiva. A rotação para software e consumo divide o protagonismo com IA, enquanto o macro oferece vento de cauda: PIB forte e corte de juros no radar. Em paralelo, petróleo e cripto adicionam assimetria tática ao panorama.