Em um movimento que reacende as tensões no comércio global, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira uma nova rodada de tarifas sobre diversos países, com foco especial em Índia e Brasil. As medidas, divulgadas às vésperas do prazo final para ajustes na política comercial americana, fazem parte de sua estratégia para reconfigurar as relações econômicas internacionais com foco na proteção dos interesses dos EUA.
A Índia, que passa a enfrentar tarifas de 25% sobre suas exportações para os EUA, foi alvo de críticas diretas por manter acordos estratégicos com a Rússia, especialmente nas áreas de defesa e energia. Já a Coreia do Sul teve suas tarifas igualadas às do Japão, com uma alíquota de 15%. No caso do Brasil, a sobretaxa anunciada é a mais severa: 50% sobre uma ampla gama de produtos.
Segundo Trump, o Brasil representa risco à segurança nacional e à economia americana por suas práticas comerciais, justificando a elevação dos tributos. No entanto, alguns produtos escaparam da lista: petróleo, aeronaves e suco de laranja foram isentados. Ainda assim, a medida afeta cerca de 60% das exportações brasileiras para os EUA, que somam aproximadamente US$ 18 bilhões.
Como gesto de flexibilização, o governo americano postergou o início da aplicação das tarifas para 6 de agosto e retirou quase 700 itens da lista original, o que representa cerca de 43% do valor exportado pelo Brasil. Ainda assim, commodities relevantes como café, frutas, carnes e pescado permaneceram incluídas, e estarão sujeitas à alíquota máxima.
A resposta do governo brasileiro foi imediata. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião emergencial com ministros e membros do STF para definir estratégias. O Planalto sinalizou abertura para o diálogo, mas reforçou que o Brasil não renunciará a seus instrumentos de defesa comercial e à sua soberania.
O secretário de Comércio dos EUA indicou que produtos alimentares não fabricados internamente podem ser isentados, o que abriria margem para negociações bilaterais envolvendo itens estratégicos para o Brasil.
Essas medidas se inserem numa política mais ampla de Trump, que já anunciou ou aplicou tarifas de 10% a 50% contra países como China, Japão, México, União Europeia, Filipinas, Indonésia, Canadá e Vietnã. O Brasil, até o momento, é o mais duramente atingido.
A ordem executiva prevê ainda represálias automáticas caso o Brasil ou outros países afetados adotem medidas retaliatórias. Com isso, o clima comercial global se torna ainda mais instável, aumentando a incerteza sobre o futuro das exportações e das relações diplomáticas com os Estados Unidos.