Internacional Macroeconomia
Tarifas nos EUA pressionam economia global e ampliam incerteza comercial
Estratégia protecionista amplia riscos sobre o crescimento, investimento e cadeias produtivas internacionais
28/07/2025 12h25 Atualizada há 6 meses
Por: Redação

A política tarifária adotada pelos Estados Unidos vem provocando distorções crescentes na economia global. Com tarifas médias elevadas a 13,5%, o maior nível desde a década de 1930, o ambiente global de comércio e investimentos começa a se reconfigurar, pressionado por incertezas regulatórias, custos crescentes e retração na confiança empresarial.

Desde abril de 2025, os EUA vêm aplicando tarifas progressivas sobre praticamente todas as importações, com alíquotas que já chegaram a 145% em produtos chineses. Apesar de negociações preliminares com países como União Europeia e Japão, novas elevações tarifárias estão prometidas para agosto caso os acordos não avancem.

Essas barreiras comerciais, além de reconfigurar o padrão de fluxo global de bens, já impactam diretamente as decisões de investimento. Projeções apontam queda de até 5% nos investimentos fixos globais em 2025, com retração no comércio internacional a metade do ritmo observado em 2024. A estimativa é que o PIB mundial possa encolher entre 0,4 e 1 ponto percentual até 2026, enquanto economias avançadas enfrentariam aumento de até 0,5 ponto na inflação.

Pressão no Brasil e em outros emergentes

No Brasil, os efeitos ainda são limitados, com impacto atual de -0,05% no PIB. No entanto, um cenário com sobretaxas mais altas, como uma tarifa de 50%, poderia cortar 0,41% do PIB já no primeiro ano, afetando especialmente o agronegócio (café, carnes, suco de laranja), além de adicionar até 0,7 p.p. na inflação. Outros mercados emergentes também vêm enfrentando maior volatilidade financeira, elevação nos custos de financiamento e pressão sobre o câmbio.

Efeitos por setor: indústria, tecnologia e alimentos

Fragilidade no sistema global

A escalada tarifária também enfraquece a cooperação internacional e compromete o funcionamento dos sistemas multilaterais de comércio. Com mais países adotando medidas unilaterais para proteger suas economias, cresce o risco de uma fragmentação mais duradoura das cadeias produtivas globais. Empresas em setores de tecnologia e manufatura avançada já relatam necessidade de redesenhar cadeias produtivas, um processo que pode levar anos para se estabilizar.

Para os consumidores americanos, os efeitos já estão no dia a dia: preços mais altos em eletrônicos, automóveis e alimentos importados reduzem o poder de compra e alimentam a inflação interna, em meio a uma economia com sinais de desaceleração.

A continuidade dessa estratégia tarifária, sem avanço em acordos multilaterais, tende a aprofundar o enfraquecimento da economia global e limitar o potencial de uma recuperação sustentável no pós-pandemia.