O mercado asiático encerrou o pregão desta quarta-feira (16) sem direção única, refletindo a volatilidade causada por notícias sobre tarifas dos EUA. O destaque negativo ficou para o índice sul-coreano Kospi, que recuou 0,90%, seguido por quedas marginais no Nikkei do Japão (-0,04%) e no Hang Seng de Hong Kong (-0,29%). Na China continental, o índice Xangai Composto teve leve baixa de 0,03%, enquanto o Shenzhen Composto avançou discretos 0,10%. Por outro lado, Taiwan apresentou alta, com o Taiex subindo 0,91%.
O foco dos investidores regionais esteve nos desdobramentos da última ofensiva tarifária do governo dos EUA. O presidente Donald Trump anunciou ontem um novo acordo com a Indonésia, impondo tarifa de 19% para importações daquele país. Pequenas economias asiáticas foram informadas de que sofrerão elevações superiores a 10% nas tarifas em breve. Além disso, Japão e Coreia do Sul, que tentam acordos bilaterais com Washington, correm risco de tarifas recíprocas de até 25% a partir de agosto. A aversão ao risco, motivada pela guerra comercial e pelas medidas punitivas, contribuiu para a falta de consenso entre as bolsas asiáticas.
Os mercados europeus abriram em queda, seguindo a tendência negativa global. O índice Stoxx Europe 600 recuava 0,2% por volta das 8h17 em Londres, acumulando sua mais longa sequência de perdas em um mês. O movimento reflete preocupações com a desaceleração do crescimento econômico, agravadas pela incerteza em torno de uma possível guerra comercial ampliada envolvendo os EUA.
Entre os destaques, as ações da Renault desabaram 16% após a montadora francesa revisar para baixo sua projeção de margem operacional para 2025. Esse mau desempenho evidencia a sensibilidade das empresas ao cenário macroeconômico e às revisões de expectativas. A ASML, gigante holandesa do setor de semicondutores, também caiu 6,7% após anunciar corte na previsão de crescimento, motivado por disputas comerciais e desaceleração do setor. Por outro lado, empresas de joias, como Richemont, superaram expectativas com resultados positivos, sugerindo resiliência no segmento de luxo, mesmo diante do aumento das incertezas globais.
O cenário é agravado por tensões geopolíticas, incluindo novos ataques russos à Ucrânia e declarações do presidente dos EUA sobre possíveis tarifas a produtos farmacêuticos e semicondutores europeus.
No pré-mercado dos Estados Unidos, o sentimento apontava para mais uma sessão de cautela, com os futuros do S&P 500 exibindo ligeira baixa de 0,20%. O peso das incertezas em relação à política tarifária do governo americano, a aceleração recente da inflação e as perspectivas para a próxima decisão do Federal Reserve (Fed) sobre juros explicam a postura defensiva dos investidores.
A divulgação do índice de preços ao produtor e da produção industrial dos Estados Unidos prevista para hoje também contribui para a cautela. Os dados recentes de inflação, que mostraram aceleração tanto no índice cheio quanto nos núcleos, praticamente eliminam a probabilidade de corte de juros na próxima reunião do Fed. O mercado teme impactos tardios de repasse de tarifas aos preços, o que pode pressionar custos e margens corporativas nos próximos meses.
Além disso, as gigantes de tecnologia e energia seguem em foco após anúncios de investimentos robustos em inteligência artificial, buscando manter liderança frente aos concorrentes asiáticos.
Em resumo, o início desta quarta-feira é marcado por aversão ao risco nos principais mercados globais. O pano de fundo é dominado pela escalada nas tensões comerciais promovidas pelos EUA, revisões de resultados e projeções corporativas na Europa, e sinalizações do Fed quanto à condução da política monetária. O investidor monitora atentamente se os desdobramentos tarifários e inflacionários podem provocar novas ondas de volatilidade nas próximas semanas.