Os principais índices de ações dos Estados Unidos fecharam com desempenho divergente nesta terça-feira (1º), refletindo um início de trimestre marcado por ajustes de portfólio e incertezas quanto à trajetória da política monetária.
O Dow Jones Industrial Average avançou 1,09% (481 pontos), impulsionado por papéis defensivos como Merck, Johnson & Johnson e UnitedHealth, que subiram até 3%. Em contrapartida, o S&P 500 caiu 0,04% e o Nasdaq recuou 0,75%, pressionado por perdas em empresas de tecnologia, como Microsoft e Nvidia, que vinham liderando os ganhos até o fim de junho.
O movimento marca uma clara rotação setorial, com investidores realizando lucros após o rali de ações de tecnologia no segundo trimestre — o ETF setorial XLK havia saltado quase 23% no período. Agora, o foco migra para ativos considerados mais defensivos, em meio a um cenário de incerteza quanto ao ritmo de cortes de juros. Durante participação no Fórum do BCE, em Sintra (Portugal), o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou que o banco central ainda não tem uma definição sobre cortes em julho, reforçando que decisões futuras dependerão da evolução dos dados econômicos.
Além da política monetária, os investidores acompanharam o avanço do megabill fiscal de US$ 3,3 trilhões, aprovado no Senado por margem estreita de 51 a 50 votos. O projeto agora segue para a Câmara, onde pode enfrentar resistência. O pacote, proposto por Donald Trump, reacende preocupações sobre o aumento da dívida pública e já vem pressionando o dólar, que manteve a tendência de baixa, com o índice DXY operando abaixo de 97,00. No mercado de commodities, o petróleo WTI ficou estável próximo de US$ 65,00, enquanto o ouro subiu para US$ 3.360, refletindo maior busca por proteção.
O mercado agora se prepara para a divulgação do relatório de emprego (payroll) na próxima quinta-feira (4), considerado fundamental para definir o tom do Fed nas reuniões seguintes. A trégua tarifária entre os EUA e seus parceiros comerciais também entra na reta final, com vencimento previsto para 9 de julho, elevando o grau de atenção do mercado a potenciais impactos geopolíticos e comerciais sobre os ativos globais.