O mercado financeiro brasileiro começa esta sexta-feira em compasso de observação, após uma semana marcada por revisões otimistas nas projeções do Banco Central e pela desaceleração mais firme da inflação. A manutenção da taxa Selic em 15% e a sinalização de uma “pausa prolongada” na alta de juros foram recebidas com cautela, mas também com alívio por parte dos investidores, que enxergam agora um cenário mais previsível para o segundo semestre.
O Banco Central elevou sua estimativa para o crescimento do PIB em 2025 de 1,9% para 2,1%, e reduziu as projeções inflacionárias para 4,9% neste ano e 3,6% em 2026. Esses ajustes consolidam a percepção de que o ciclo de aperto monetário surtiu efeito e, mesmo com a taxa básica em patamar elevado, o ambiente econômico começa a se estabilizar. Com a inflação cedendo e os juros mantidos, o real ganhou força e o fluxo de capital externo se intensificou, impulsionando a valorização recente dos ativos locais.
No mercado de crédito, a autoridade monetária projeta uma expansão de 8,5% neste ano — um ritmo mais lento do que em 2024, mas ainda relevante diante das condições atuais. Esse crescimento tende a favorecer empresas com perfil mais resiliente e balanços saudáveis, além de abrir espaço para retomada gradual do consumo, sobretudo entre setores menos expostos a juros altos.
No cenário externo, a trégua nos juros longos dos Estados Unidos e a menor pressão nos preços do petróleo também contribuem para um ambiente mais benigno. Hoje, os investidores globais acompanham os dados de inflação ao consumidor (PCE) e o índice de confiança da Universidade de Michigan, ambos nos EUA, que devem oferecer novas pistas sobre os próximos movimentos do Federal Reserve.
O dia, portanto, se desenha como um ponto de transição: sem grandes gatilhos de curto prazo, mas com fundamentos mais organizados para o Brasil, o que pode manter o Ibovespa em patamar técnico relevante e sustentar o câmbio abaixo de R$ 5,50 — desde que o exterior não imponha choques inesperados.