O mercado financeiro brasileiro encerrou a quinta-feira (26), com fortes sinais de recuperação. O Ibovespa avançou 0,99%, fechando a sessão aos 137.113,89 pontos, enquanto o dólar comercial recuou 1,02%, cotado a R$ 5,4986. O volume negociado girou em torno de R$ 22 bilhões, indicando fluxo consistente de investidores de volta à bolsa.
O movimento positivo foi impulsionado por uma conjunção de fatores, com destaque para a reversão de uma das medidas mais criticadas do pacote fiscal recente. O Congresso Nacional derrubou o decreto do Executivo que previa o aumento do IOF sobre operações financeiras, o que foi interpretado pelo mercado como uma vitória da racionalidade econômica sobre o voluntarismo arrecadatório. A medida reduziu a percepção de risco político e fiscal no curto prazo, destravando uma reprecificação positiva de ativos locais.
Outro dado que contribuiu para o alívio foi a divulgação do IPCA-15, que mostrou desaceleração da inflação de forma mais expressiva do que o previsto. O índice reforça a tese de que o ciclo de aperto monetário surtiu efeito e fortalece a visão de manutenção da taxa Selic no atual patamar por mais tempo, sem necessidade de novos aumentos. A combinação entre inflação controlada e estabilidade fiscal reanima o apetite por risco no mercado doméstico.
No cenário externo, o ambiente também favoreceu os ativos brasileiros. As bolsas norte-americanas operaram próximas a máximas históricas, em meio à percepção de que o Federal Reserve deverá manter sua postura cautelosa, sem pressa para novas altas de juros. Esse pano de fundo internacional, somado aos ajustes internos, criou espaço para a valorização da bolsa brasileira e a queda do dólar.
O dia marca um ponto de inflexão após uma sequência de sessões marcadas por incertezas e aversão ao risco. Com isso, o Ibovespa retoma a marca dos 137 mil pontos e volta a testar níveis técnicos relevantes, enquanto o câmbio rompe o patamar de R$ 5,50, dando fôlego à tese de valorização do real diante de fundamentos mais sólidos.