Internacional Panorama de Mercado
Inflação Explode no Japão, Coreia Surpreende e Europa Respira com Trégua no Oriente Médio
Mercados asiáticos fecham divididos enquanto investidores reavaliam riscos fiscais, geopolíticos e monetários.
20/06/2025 05h24 Atualizada há 8 meses
Por: Vitor Ferreira

Os mercados asiáticos encerraram a sessão desta sexta-feira (20), sob um delicado equilíbrio entre inflação, estímulos fiscais e tensões geopolíticas, que moldaram o comportamento dos investidores em cada região.

No Japão, o Nikkei 225 recuou 0,2%, impactado pela inflação acima do esperado. O núcleo inflacionário acelerou para 3,7% em maio, reacendendo as apostas de que o Banco do Japão — último grande banco central a manter políticas ultraexpansionistas — pode iniciar um ciclo de aperto monetário. A perspectiva de juros mais altos afetou negativamente ações de setores mais expostos a financiamento, reduzindo o apetite por risco na bolsa japonesa.

Na China, o desempenho foi misto, profundamente influenciado pelo quadro geopolítico. O Hang Seng, em Hong Kong, subiu 0,8%, beneficiado pelo alívio após Washington sinalizar o adiamento, por pelo menos duas semanas, de qualquer decisão sobre uma possível intervenção militar no Irã. A trégua momentânea reduziu a aversão global ao risco e favoreceu as grandes empresas de tecnologia chinesas, que vinham pressionadas nos últimos meses. Por outro lado, o Shanghai Composite cedeu 0,1%, refletindo as dúvidas persistentes sobre a força da recuperação doméstica, mesmo após o Banco Popular da China manter suas taxas de referência inalteradas.

A Coreia do Sul apresentou o desempenho mais forte da região. O Kospi avançou 1,5%, impulsionado pelo anúncio de um novo pacote de estímulos fiscais do governo, que reacendeu as expectativas de fortalecimento do crescimento interno. O movimento atraiu fluxo comprador, mesmo com o pano de fundo regional ainda delicado.

Na Austrália, o ASX 200 caiu 0,2%, com realização de lucros sobre ações de mineradoras e bancos após ganhos recentes. A queda do minério de ferro e sinais de enfraquecimento da demanda chinesa também pressionaram o setor de commodities, enquanto os segmentos defensivos, como saúde e utilidades, amorteceram perdas maiores.

Na Europa, a abertura foi claramente puxada pelo alívio temporário na tensão no Oriente Médio. O EuroStoxx 50 abriu com alta de 0,8%, o DAX avançou 1% e o FTSE 100 subiu 0,3%. A decisão dos Estados Unidos de adiar uma possível ação militar contra o Irã reduziu o prêmio de risco embutido nos mercados, sobretudo no setor energético. Como reflexo imediato, o petróleo Brent recuou para US$ 77 o barril, após semanas de alta impulsionada por temores de interrupção na oferta global.

Nos Estados Unidos, o pré-mercado apresenta leve viés negativo. Os futuros do S&P 500, Dow Jones e Nasdaq recuam entre 0,05% e 0,08%, num movimento de ajuste técnico pós-feriado de Juneteenth. Sem grandes catalisadores internos imediatos, os investidores voltam suas atenções para os balanços de Accenture, Kroger e CarMax, aguardando sinais sobre a força dos lucros corporativos em meio ao atual ambiente econômico.

O cenário global segue extremamente sensível à interação entre inflação persistente nas grandes economias, estímulos fiscais pontuais em mercados emergentes e riscos geopolíticos ainda latentes, que seguem ditando o compasso dos mercados globais.