Internacional Panorama de Mercado
Mercado Asiático Despenca com Nova Escalada no Oriente Médio e Alta do Ouro
Bolsas da Ásia recuam em bloco diante da intensificação do conflito Israel-Irã, avanço dos metais e temor sobre riscos globais.
19/06/2025 07h23 Atualizada há 8 meses
Por: Vitor Ferreira

O dia 19 de junho amanheceu sob o peso da tensão. O fechamento dos mercados asiáticos refletiu o nervosismo dos investidores frente à intensificação do conflito no Oriente Médio. Em Tóquio, o Nikkei 225 cedeu cerca de 1%, pressionado pela valorização do iene e pela fuga de risco global. Em Hong Kong, o Hang Seng despencou mais de 2%, com forte realização sobre as gigantes de tecnologia, enquanto Xangai caiu próximo a 0,8% diante da contínua desconfiança sobre a recuperação chinesa. O Kospi sul-coreano conseguiu resistir com leve alta de 0,2%, sustentado por fluxo pontual em setores exportadores.

No pano de fundo, paira a incerteza geopolítica: o agravamento das tensões entre Israel e Irã, com rumores sobre possível envolvimento dos EUA, tem elevado a busca por proteção. O ouro renovou máximas, superando os 3.370 dólares por onça, e o petróleo voltou a flertar com patamares de risco, refletindo o temor de interrupções no fornecimento.

Com a Ásia em queda, a abertura dos mercados europeus seguiu o mesmo roteiro. O Stoxx 600 recuava cerca de 0,6%, levando o índice às mínimas de um mês. O DAX alemão e o CAC 40 francês abriram em baixa, refletindo o receio crescente de que a instabilidade geopolítica possa comprometer a atividade econômica global. Destaque para o setor de energia, que operava levemente positivo diante da alta do petróleo, enquanto turismo e lazer lideravam as perdas, mostrando sensibilidade imediata ao risco geopolítico. A volatilidade explodiu: o VIX europeu atingiu seu nível mais alto desde maio.

A cautela também domina o pré-mercado americano. Futuros do S&P 500, Dow Jones e Nasdaq sinalizam aberturas negativas entre 0,1% e 0,4%, com os investidores digerindo o duplo impacto do cenário externo tenso e do discurso recente do Federal Reserve. Apesar de manter a taxa de juros estável, o Fed sinalizou dois possíveis cortes ainda em 2025, mas alertou que o ritmo dependerá diretamente da evolução dos dados de inflação e emprego — reforçando o tom prudente.

Enquanto isso, o mercado de energia continua monitorando com atenção o Oriente Médio. O petróleo Brent avança e se mantém próximo dos 77 dólares o barril, alimentando receios de oferta.

O dia promete ser de atenção máxima. Com a decisão do Banco da Inglaterra no radar, os desdobramentos no Oriente Médio podem ser o gatilho de novas ondas de aversão a risco. Investidores globais seguem monitorando não apenas os dados econômicos, mas sobretudo o tabuleiro geopolítico, que neste momento dita o compasso dos mercados.